HISTÓRIA DA TIPOGRAFIA

A escrita, portanto o desenho de letras, começou com as primeiras civilizações. Acredita-se que os sumérios (que ficavam onde é hoje o sul do Iraque) foram os primeiros a usar a escrita, moldando as letras em placas de argila, por volta do ano 3400 AC. Os sistemas atuais de escrita derivam do alfabeto fenício (que habitavam onde é a Líbia, Síria e Israel), em uso desde 1000 AC. A escrita foi fundamental para o registro de conhecimentos, fatos e costumes, passando esses dados para gerações futuras e também facilitando o entendimento das antigas civilizações pelos historiadores.

Mas a escrita sempre foi artesanal, feita em peça única, o que restringia muito a divulgação dos conhecimentos, deixando-os sempre com as elites de cada época. Na idade média, a Igreja tinha copistas para reproduzir manualmente grandes obras do passado.

Considera-se que a imprensa foi inventada por Johannes Gutenberg em 1454, na Alemanha. Ele criou tipos móveis de metal, um para cada letra, untados com tinta. Tudo encaixado numa prensa de uvas adaptada possibilitava a reprodução rápida da escrita.

Os poderosos da época - governantes, Igreja e comerciantes - precisavam se comunicar, o que gerou até uma demanda por alfabetização. Por isso o invento de Gutenberg é considerado um marco. Com o tempo, ele impulsionou a educação, popularizou muito o conhecimento e gerou um avanço espetacular da civilização. Em apenas três décadas, a imprensa tornou-se o principal meio de divulgação das idéias renascentistas, marcando o fim da Idade Média.

A China já imprimia livros vários séculos antes, no ano 868, cada página sendo esculpida em uma placa de madeira. Em 1041, o chinês Pi Cheng criou um método semelhante ao de Gutenberg, com tipos móveis de argila cozida. O próprio papel é uma invenção chinesa. Mas vários fatores não tornaram esses fatos revolucionários: na época a China não era uma potência expansionista, seu alfabeto é muito complexo, sua sociedade não estava em um momento propício para aproveitar o invento. A invenção de Gutenberg tinha características novas: caracteres móveis, matrizes de metal para moldar os tipos e uma prensa como a de prensar uvas.

A arte do desenho de letras, a tipografia, foi bastante desenvolvida durante o Renascimento. Veneza era um grande centro comercial na época. Um dos primeiros impressores em Veneza foi Nicolas Jenson, de origem francesa, que se estabeleceu em 1470. Aldus Manutius, foi outro importante impressor local desde 1495. William Caslon I (1693-1766) foi um artesão de grande destaque no design de tipos. Sua empresa forneceu para o mundo da época a maioria das letras usadas por quase 200 anos.

Os tipos chamados romanos são de espessura variável e com serifas, baseados nas letras da coluna trajana, do ano 114 DC, que fica em Roma. As letras inclinadas à direita são chamadas oblíquas, depois erroneamente chamadas de itálicas, já que estas últimas diferem em estrutura. As oblíquas são de mesmo desenho, só que inclinadas. As itálicas foram primeiramente criadas por Aldus Manutius em 1501 para livros de bolso, são condensadas e baseadas em escrita cursiva.
A escrita cursiva itálica foi modificada e deu origem a um tipo de letra chamada script. As primeiras scripts foram desenvolvidas na Alemanha em meados do século 16 e foram baseadas na escrita cursiva formal usada nas chancelarias. Este tipo de letra é para textos curtos, não para livros. São chamadas de scripts góticas. As scripts que se basearam na escrita manual italiana são chamadas de scripts latinas e, embora tenham sido desenvolvidas no século 16, só foram largamente usadas no século 18.

As letras grossas usadas pelos primeiros impressores alemães eram chamadas de góticas. Hoje, este termo designa as letras desenhadas com espessura uniforme e sem serifa. As primeiras foram criadas em 1816 por William Caslon IV. A razão de terem o nome associado com as antigas letras góticas é que elas foram criadas com um peso muito grande, grossas, e lembravam a intensidade de preto dos antigos textos alemães, embora hoje existam letras desse tipo com espessuras mais finas.

Os grandes manuscritos feitos no século 12 contêm os primeiros exemplos de letras ornamentais, que eram usadas para apresentar capítulos em um livro. Essas letras eram feitas por artistas, que trabalhavam junto com os escribas. São chamadas de iluminuras, pois suas cores intensas (vindas de materiais nobres como pedras preciosas e ouro) iluminavam toda a página, tornando as letras mais vivas. Exemplos mais recentes de letras decorativas aparecem na França, por volta de 1680, e na Inglaterra, em 1690.

 

Veja abaixo alguns exemplos de famílias de letras e seus respectivos autores:

Originalmente desenhada por John Baskerville no século 18, mas teve várias revisões posteriores.
Feita por Francesco Griffo para o impressor Aldus Manutius no século 15.
Giambatista Bodoni de Parma desenhou esta letra no final do século 18.
Desenhada por Morris F. Benton, em estilo Art Decô.
Desenhada por Robert E. Smith nos anos 40, ficou muito popular nos anos 50.
Suas famílias de letras, que foram feitas por William Caslon I no século 18 inspiradas em letras holandesas do século 17, inspiraram a atual Times Roman.
Bertram G. Goodhue a desenhou em 1896.
Georg Trump em 1930.
Produzida pela empresa R. Besley & Co. em 1845.
Feita por Oswald B. Cooper para a empresa Barnhart Bros. & Spindler em 1921.
Desenhada por Frederic Goudy em 1901.
Por A. Novarese nos anos 60.
Por Morris F. Benton.
Desenhada por Paul Renner em 1927-30.
Claude Garamond baseou sua tipologia do século 16 em desenhos de Aldus Manutius. No entanto, muitas versões atuais são baseadas no desenho do francês Jean Jannon, de 1615.
Eric Gill em 1928-30.
Frederic W. Goudy fez no início do século 20 e se baseou em letras do Renascimento.
Por Max Miedlinger em 1957, segue o estilo do século 19. Muito popular devido à grande legibilidade.
Por Rudolf Koch, em 1927.
por M. R. Kaufmann, em 1936. O estilo a faz parecer escrita por uma caneta de ponta grossa.
esta letra script informal foi feita por Roger Excoffon em 1955.
Por Herman Zapf em 1958.
Feita por Herman Zapf em 1950, lembra o estilo veneziano e tem o nome de um escritor italiano do século 16.
Feita por Stanley Morrison para o jornal London Times em 1932, se baseou na clássica Caslon.