Resiliência.

Em reuniões no Instituto Ayrton Senna discutíamos vários conceitos sobre como poderíamos promover melhorias sociais. Um dos temas mais importantes era o de como ajudar as pessoas sem sermos paliativos, e usando a velha máxima, ensinar a pescar em vez de dar o peixe de presente. Eu colhi vários ensinamentos desses trabalhos. Um deles foi apresentado pela professora Cenise Monte Vicente: era o Guia de Promoção de Resiliência. Aqui eu vou dar um apanhado geral do que aprendi, levando esses conceitos às empresas e seu marketing. Resiliência é um conceito da física, muito utilizado pela engenharia. Refere-se à capacidade de um material sofrer tensão e recuperar seu estado normal, quando suspenso o "estado de risco". O termo tem sido utilizado em psicologia como a capacidade humana de enfrentar adversidades sucessivas ou acumuladas, sem prejuízos para o desenvolvimento. A resiliência pode ser pensada como capacidade de adaptação ou faculdade de recuperação. Uma atitude resiliente significa fazer as coisas bem feitas, apesar das adversidades, ou seja, soma-se à resiliência a capacidade de construção positiva, superação. Ela não é apenas um fenômeno individual. Pode ser grupal, institucional, comunitária e por que não empresarial e mercadológica. A resiliência é ativada e desencadeia um processo positivo de construção, através da vivência das pessoas, instituições ou empresas. Fatores como: alcançar resultados positivos em situações de alto risco, manter competência sob ameaças e no caso de empresas, a ataques de concorrentes ou enfrentar situações inesperadas revertendo-as a seu favor, são como se recuperar de traumas. A resiliência não pode ser confundida com invulnerabilidade. Ser resiliente não é ser invulnerável, ser um Superman, pelo contrário, é ter a capacidade de se reerguer depois de atingido, de aceitar o que lhe foi imposto, extraindo experiência das situações difíceis, enriquecendo de maneira única a vivência do indivíduo ou da empresa e depois, utilizar esses aprendizado para reverter a situação a seu favor. O resiliente tem atitudes básicas como auto confiança, auto respeito, acumula experiência, estabelece metas para serem atingidas, tem visão equilibrada e global sobre situações adversas. Ele não se julga uma vítima. E não toma atitudes precipitadas chamadas de espelhamento. Nunca devemos pensar nas dificuldades como sendo danos, mas sim como desafios a serem vencidos. O que ocorre é que muitas vezes as pessoas sentem-se impotentes diante dos problemas. O resiliente não. Ele tem sua meta, e vai seguir seu caminho sem perder o foco, aceitando os problemas como desafios que serão vencidos. A resiliência é algo construído durante o desenvolvimento, e se é construído, pode ser promovido. Esse é o ponto em que eu queria chegar. As empresas e as pessoas podem aprender e ensinar essas atitudes resilientes, com treinamento e planejamento. Elas devem acreditar que tudo é controlável e passar a agir ativamente para vencer os problemas, aceitando-os. Assim o reconhecimento dos problemas será acompanhado do reconhecimento das possibilidades de enfrentamento. Então surge a esperança, o acreditar. Acreditar e ter vontade são fundamentais para o sucesso. Devemos então seguir em frente, sem se preocupar em vencer a guerra, mas sim em vencer pequenas batalhas que gera o aprendizado e a experiência necessária para seguirmos em frente. As pequenas vitórias servem de fôlego para se recompor e assim seguir na busca da realização das metas estabelecidas.

Rogério Martins