Um dia esse livro sai!

 
 

Meu primeiro dia de dieta

Para começar com chave de ouro e marcar bem a data do meu primeiro dia de dieta, fui no dia anterior, fazer a despedida da comilança. Eu sempre achei, que datas importantes deveriam ser comemoradas com pompa e tudo mais. Por isso, antes de iniciar a dieta, seria necessário uma grande despedida.

Para começar o bota fora da barriga, fui almoçar em um restaurante de primeira, experimentei de tudo, no entanto eu estava interessado mesmo nas sobremesas, que eram servidas a vontade.
Peguei um pedaço do bolo brigadeiro e do bolo prestigio também. O bolo de nozes, que formou o trio no mesmo prato e estava uma delicia, depois experimentei a mousse de chocolate. Para encerrar, comi um pudim de leite. Não foi o pudim inteiro, foram só, três pedaços. Claro que tudo regado a muito refrigerante.
À tarde bati um lanchinho. Coisa simples, alguns pães de queijo, um de batata recheado e um sorvete de chocolate. Para empurrar! Mais refrigerante.
No jantar, como é de costume nas terças, fui com amigos a um rodízio de tudo. Aqueles com saladão, sopa, massas e muitos pedaços de pizzas, além de alguns com coberturas doces.

Fim das comemorações. Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Nesse caso depois da bonança é que veio a tempestade...

O começo do martírio...

De manhã passei bem. Um iogurte, duas fatias de pão e fruta. Eu nunca comi muito de manhã. Esse início não foi nenhum problema, ao contrario era mais do que estava acostumado. A novidade das dietas e comer pouco e sempre. Bem pelo menos até descobrirem que não é nada disso. Eu reparei que os conceitos mudam, uma hora o açúcar é o vilão, depois dizem que não é tanto assim. Ai é a gordura, mas depois não é bem assim também. Tudo depende. Tem até colesterol bom.

Chegou o almoço. Salada à vontade. Não sei porque salada é a vontade. Você fala em regime e já te falam em salada a vontade. Nada pode! Mas salada...a vontade. Que coisa!
Se salada não engordasse elefante seria magrinho...
Está bem, não vou discutir! Eu só queria saber por que colocam aquelas folhas amargas no meio. O coisa ruim.
Matei a salada toda.
Seguindo o indicado pela tabela das 1.200 calorias. Coloquei no prato as 3 colheres de arroz e uma de feijão. Por alguns instantes, fiquei olhando todo aquele espaço vazio no prato. Recorri ao papel do regime para verificar a tabela, se era isso mesmo. E era. Eu faço isso, fico olhando a tabela várias vezes para conferir. Tentando acreditar no que estou vendo.
Tinha legumes também, mas esses eu devorei que nem lembro quais eram. Sei que não tinha chuchu, porque eu detesto. Ele não é só ruim, é também a comida mais sem graça que existe.
Quem nunca fez regime não sabe o que é isso. Eu curti cada grãozinho de arroz como se fossem pedacinhos de chocolate. Não deixei nem aquela última metadinha de grão, difícil de pegar com o garfo. Deu vontade de lamber o prato para aproveitar tudo.
De sobremesa tinha gelatina diet. Sem comentários. Só faltava ser gelatina de chuchu.

Azar. Essa palavra não é dita por muitas pessoas, muitos pensam que o fato de pronunciar a palavra, faz que coisas ruins aconteçam. Uns preferem dizer desventura, outros, má sorte ou malogro. É engraçado, como todo mundo tem uma receita de regime, e quando você entra para esse círculo de amizades, ou melhor dizendo, esse clube do terror, comida passa a ser assunto de todas as conversas. Deveria ao contrario ser como o azar, uma palavra proibida.
- Estou morrendo de vontade daquela coisa feita de cacau.
- E eu, que não posso ver aquele negócio que se assa em fôrmas com furo no meio.
- Hum! Hoje não resisti e tomei um cafézinho com pó branco.

A vida sem guloseimas não tem graça. E a minha realmente mudou. Transformou-se numa barra de cereal. Isso sim foi uma grande invenção. Dá aquela fominha e você manda ver numa barrinha. Sem ressentimentos nem dor na consciência. Tem vários sabores, uns até cobertos daquela coisa de cacau. E ainda a gente tem o prazer de ficar passando a língua nos dentes para recolher os últimos pedacinhos. Slep, slep...

Passaram os meses e eu me acostumei com a mingua. Chamam isso de reeducação alimentar. Estou mais magro, perdi 4 quilos e espero não encontrá-los tão brevemente. Droga! Lembrei de Brevidade.
Fui reeducado, mas quem não perde as estribeiras de vez em quando.

Rogério Martins

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