A família
aumentou
O mundo animal é fascinante,
principalmente para as crianças. Por isso os bichos estão
presentes em álbuns de figurinhas, enciclopédias nos desenhos
animados e na maioria dos filmes infantis. Existem milhares de espécies
e se pudessem escolher qualquer um deles para criar, penso que as crianças
escolheriam os que não existem mais, os dinossauros.
Como os dinossauros estão fora de questão os cães
passaram a ser a segunda opção. Eles são carinhosos,
obedientes umas gracinhas, espertos, bonitos, aprendem truques legais,
são companheiros e estão sempre felizes. São os
melhores amigos por isso que estão presentes em muitos lares.
Mesmo assim eu nunca quis ter um.
Sempre achei um saco ter que ficar cuidando, além disso tenho
medo de cachorros grandes e os pequenos latem muito. Minha prima tinha
um Mini-Pincher, ele latia que nem um desesperado, parecia que os olhos
iam saltar da cara, as pernas tremiam, uma coisa muito esquisita, um
rato mutante.
E cachorro flatulento então.
Só tem graça nas piadas.
Como eu sei? Meu pai tem um, da raça Boxer, é a Tieta.
A gente até chora com aquele gás lacrimogêneo. E
é um atrás do outro. Ele devia mandar ela para agreste.
Tieta pro agreste.
E ainda tem os carrapatos, sarnas, troca de pelo, raiva e o cio.
O cio realmente é uma coisa interessante. Quando criança
sempre reparava nos cachorros grudados pelas ruas. E pensava...
- O que é aquilo? Por que ficam grudados bunda com bunda? Quanto
tempo dura esse sofrimento? O que será que aconteceu? passaram
cola? Gente com gente é assim também???
Eram perguntas freqüentes. Um dia descobri como começava,
mas por que terminar de maneira tão ridícula. No começo
parecia que estavam gostando, principalmente o que ficava por cima.
Mas depois aquele de cima era o que mais sofria.
- Joga água, joga água! As pessoas gritavam.
E tinha uns moleques que batiam
nos bichos. Devia doer muito. Hoje em dia não vejo mais essas
coisas, talvez ande menos pelas ruas.
Minha filha tem 6 anos e sempre
teve medo de animais, ela adora ver, mas bem de longe. Se a gente vai
à casa de alguém ela logo pergunta com receio.
- Tem cachorro lá?
Se tiver, ela não desce do colo. As vezes nem desce do carro.
Mas um dia durante a terapia de casal, a terapeuta disse:
- Para quem tem filha única é recomendável ter
um cachorrinho em casa. A criança fica mais responsável.
Olha! Terapia faz bem, mas eles
dão cada idéia.
Aquilo ficou martelando na nossa cabeça. A menina realmente esta
muito mimada e muito solitária, um cachorrinho poderia mesmo
ajudar. Quem sabe um pequenininho.
- Mini-Pincher nem pensar. Falei.
Sugeri um aquário. Os bichinhos
ficam ali quietinhos, de um lado para o outro, é bonito, silencioso,
não tem cheiro e ainda tem aquelas bolhinhas legais saindo do
naviozinho afundado. Eu até já tive um na adolescência.
Sei bem como funciona. O meu aquário era maravilhoso. Tinha peixinhos
lindos. Com plantas e pedrinhas coloridas. Um ecossistema que funcionava
perfeitamente. Até o dia infeliz que resolvi comprar uns Pitus
que vendiam na feira. Pois essa desgraça é um tipo de
camarão de água doce que come tudo a sua frente. Eu não
sabia é claro. No dia seguinte só tinha sobrado as pedrinhas
coloridas. Os demônios tinham devorado tudo foi uma carnificina.
Não sobrou nem as plantas. Agora seria uma oportunidade para
recriar para minha filha aquele mundo perdido.
Infelizmente a idéia do aquário não colou. Fui
o único a votar a favor.
Um dia minha esposa chegou em casa falando de uma raça de cãozinho
o Maltês, ela tinha adorado. Quem é casado sabe como é
isso. Quando a esposa diz que adorou, não tem mais jeito. Se
vai acabar comprando.
Levamos minha filha para conhecer o canil de Maltês. E foi incrível
ela primeiro passou a mão no bichinho e logo já estava
com o peludo no colo. Ele lambeu o rosto dela, foi amor à primeira
vista. A família inteira ficou apaixonada, inclusive eu. Na mesma
hora encomendamos um Maltês que chegaria na próxima semana.
Foi uma das semanas mais longas de nossas vidas. O assunto em casa foi
só cachorro, pet shopps e ração. Compramos caminha,
brinquedinhos, lacinhos, ossinhos, coisas para o xixi. Passei o domingo
arrumando o quartinho para receber a nova integrante da família
a fêmea Kimie. Nome escolhido pela minha filha. Ela venceu a disputa
da escolha de nomes que durou a semana toda. Claro que todos as minhas
sugestões foram desclassificadas no primeiro turno.
Com a chegada da Kimie nossas vidas nunca mais seriam as mesmas. Todos se apegaram a ela.
Hoje em dia a Kimie mora com minha filha e mãe dela. E eu sinto saudades daquela bolinha de pelos.
Rogério Martins
